CPI da Tapa-buracos ouve especialista em pavimentação

março 26, 2019

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a maneira de como é conduzida a Operação Tapa-buracos em Ribeirão Preto ouviu nesta segunda-feira, 25, o professor José Leomar, doutor em Engenharia de Transporte com pesquisas na área de pavimentação. Compõe a comissão os vereadores Jean Corauci (PDT), Adauto Marmita (PR), Alessandro Maraca e Paulo Modas (PROS).

O professor se dispôs a contribuir com novos estudos e tecnologias para a melhora da pavimentação da cidade. Entretanto, alertou que o problema, de maneira geral, não se trata apenas de trazer novas tecnologias para o município, mas sim, de melhorar a administração e o planejamento da operação.

Leomar explica que é necessário realizar um planejamento de toda a malha viária da cidade, além disso, é preciso incluir no cronograma da Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto (Transerp) os reparos a serem feitos pelo Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp). "Não há um diálogo entre a Daerp e a Transerp", comentou.

Segundo o especialista, um estudo realizado por um de seus orientandos mostrou que cerca de 60% dos remendos nas ruas de cidades da região de Ribeirão Preto são feitos pelos departamentos de água e esgoto. “O segmento não pode ser recapeado antes do Daerp intervir”, comentou.

Durante a audiência, foi mencionado que não há, como o professor orientou, um planejamento geral da malha viária da cidade. Nem um cronograma abrangente. A maioria dos serviços, segundo a comissão, são definidos em caráter de urgência, antes das equipes saírem às ruas.

Com o planejamento, também é possível detectar quais ruas mais recebem os remendos da Tapa-buracos. Segundo Leomar, em determinados pontos da cidade não compensa mais realizar o reparo emergencial, apenas o recapeamento total da via resolveria o problema. “Em uma analogia, não adianta fazer um curativo onde a necessidade é de uma cirurgia”, exemplificou o especialista.

Além disso, o professor também alertou que cerca de 90% do custo para se tapar um buraco é gasto com o transporte dos funcionários, do material e do maquinário, do que propriamente com o material utilizado. O gasto com combustível, manutenção dos automóveis, desgaste de pneus e tempo de viagem é o que mais pesa nessa conta. Com um asfalto de qualidade, segundo Leomar, as intervenções seriam reduzidas e, consequentemente, o valor gasto com elas.

Por fim, Leomar orienta que o planejamento das intervenções no pavimento não devem ser objeto de um governo ou tratadas apenas como promessas eleitorais. "Tem que ter continuidade técnica. Não pode depender da vontade de um só prefeito", afirma. 

Pegos de surpresa

Durante a sessão da última quinta-feira, 21, o vereador Alessandro Maraca afirmou que durante uma vistoria em um dia de trabalho da Operação descobriu um indício de fraude. Ao lado dos demais membros da CPI, observaram que o recorte feito no asfalto pela empresa era muito maior do que o buraco. O total da área da marcação, segundo os parlamentares, era o dobro do recomendado.

Com a chegada dos vereadores, os funcionários passaram a fazer os recortes proporcionais.

Segundo medição dos vereadores, recorte seria o dobro do recomendado

Conforme debatido na CPI desta segunda-feira, 25, muitos dos funcionários que realizam o serviço de recapeamento não recebem um treinamento apropriado. Alguns deles são pessoas que cumprem pena no sistema carcerário e realizam o serviço comunitário, sem nunca ter tido experiência na área ou recebido treinamento.

A próxima audiência será realizada na quarta-feira, 3, às 9h, com o atual secretário de Infraestrutura, Luís Eduardo Garcia. Já a nova diligência dos vereadores até o local da obra não será divulgado. A intenção, segundo Maraca, é que nada seja "maquiado nem preparado com antecedência". 

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